quarta-feira, 10 de março de 2010

Raro ciclone na costa brasileira

O ano de 2004 foi o limiar de uma nova era para a meteorologia brasileira. Foi neste ano que o furacão Catarina atingiu a costa da região Sul do Brasil, na noite de 28 de março, deixando traumatizadas as pessoas que presenciaram o fenômeno. Era um fenômeno que nunca havia ocorrido no Atlântico Sul desde o surgimento dos satélites, o que dificultou muito a previsibilidade do fenômeno. Com pressão no centro de 970 hPa, o furacão chegou a categoria 2 com ventos de 145 km/h, deixando 4 mortos e áreas costeiras completamente destruídas.

Quase seis anos depois, as condições do oceano e da atmosfera são favoráveis à formação de ciclones na costa brasileira. Com temperatura acima do normal, o oceano tem capacidade de fornecer mais calor para a atmosfera, combustível essencial para a formação do ciclone tropical. No Caribe é comum a formação ciclônica deste tipo, e isto ocorre geralmente com temperaturas da superfície do mar acima dos 26ºC. Na costa brasileira a temperatura não chegava aos 26ºC, porém estava muito próximo disto há uma semana atrás, quando se formou um vórtice ciclônico na costa da Região Sudeste, o qual foi causador de grandes volumes de chuva na Região, além de tornados.No Espírito Santo havia já outro sistema de baixa pressão, o qual se deslocou para o sul, o que não é comum. Este sistema deixou os meteorologistas do mundo inteiro atentos, pois tratava-se de um sistema raro no Atlântico Sul. Este fenômeno logo foi comparado com o padrão atmosférico observado durante a ocorrência do Catarina em 2004.
Quando chegou à altura do litoral de SC, o sistema praticamente estacionou a cerca de 200 km da costa, e foi adquirindo características ciclônicas. A carta de altitude mostra o vórtice ciclônico também em altitude, o que caracteriza se tratar de um ciclone.
Neste momento, a maioria dos modelos indicava que o ciclone se afastaria para o oceano, causando ventos fortes na costa e ressaca no mar. Muitos meios de comunicação informavam sobre a presença de um ciclone extratropical na costa, o que é um absurdo, pois os ciclones extratropicais possuem um ramo frontal que divide massas de ar. Havia portanto grandes indicativos de que o ciclone não afetaria diretamente a costa do Sul do Brasil.

Porém, hoje pela manhã o sistema permaneceu praticamente no mesmo lugar e começou a se aprofundar. Logo, os centros meteorológicos pelo mundo todo emitiram alertas e informativos relatando que o ciclone era mesmo subtropical(divide características tropicais e extratropicais, e não possui ramo frontal).

Durante a tarde desta terça-feira, o sistema foi classificado pelo NOAA como Invest90L, o que a 4 anos não ocorria na costa do Brasil. A partir daí, muitos dados do sistema foram fornecidos, já que o monitoramento do ciclone se tornou extremamente necessário. No começo desta noite, já se falava em tempestade tropical bem definida no litoral, e modelos indicavam que o sistema ainda permaneceria ali por até 48 horas. O mais preocupante, porém, é que alguns modelos indicam até a possibilidade de o ciclone entrar no continente, o que seria extremamente perigoso. A Metsul Meteorologia, por exemplo, não descarta a possibilidade de que o sistema atinja as características de um furacão nas próximas 24 horas.

Nas imagens de satélite é possível ver o olho do ciclone bem definido. As imagens abaixo são do canal infravermelho e de vapor d'água.

A imagem de radar também deixa claro que se trata de um sistema de circulação fechada. É possível notar duas paredes de nuvens com grande desenvolvimento vertical. Elas são responsáveis pelos grandes volumes de chuva e fortes ventos.
Nota-se que a tamperatura do mar neste momento é relativamente alta, o que mantém o ciclone tropical alimentado.

O ciclone tropical(que pode chegar à categoria de furacão) é caracterizado por ter núcleo quente em níveis baixos e altos. Ele se mantem ativo no mar em função do calor latente que a água do mar libera ao condensar. Parte deste calor é transformado em energia de movimento, e parte é liberada como excedente. Por isso, além do mar quente, o ciclone tropical necessita de um mecanismo que leve embora esse calor excedente, portanto ele funciona como uma máquina térmica.

Na postagem abaixo há 5 imagens do caminho percorrido pela baixa até chegar à tempestade tropical.

5 comentários:

  1. Mato a pau pela cobertura, mais um belo ciclone tropical para os aficcionados por meteorologia, vamos ver se teremos o segundo furacão do atlântico sul.
    ficaremos monitorando!

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  2. Vamos ver se cresce essa criança!

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  3. O ciclone perdeu a organização no início desta quarta-feira. É improvável que se intensifique mais a partir de agora!

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